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Published Date: August 9, 2023

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Resgatando a Visão Bíblica: A Conferência da CBE 2023 no Brasil

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Vários anos atrás, Deus enviou à CBE uma profetisa do Brasil. Tendo um doutorado em uma instituição no Brasil, ela participou da conferência da CBE na Flórida em 2017. Ali ela conheceu meu esposo, que também nasceu e cresceu no Brasil. Durante o final de semana da conferência, ela compartilhou de sua história como teóloga, chamada para servir a Igreja. Sua paixão por sua fé e seu trabalho profissional definitivamente representavam um chamado para servir a igreja como mestre. Ela ansiava em ajudar sua comunidade de fé a compartilhar as boas novas de Cristo aprofundando seu engajamento com as Escrituras. Parte de uma grande denominação no Brasil, ela assistia em agonia enquanto mulheres eram pouco a pouco marginalizadas a servirem na cozinha e no berçário. Ela lamentava enquanto mulheres eram, em algumas igrejas, até mesmo excluídas de tocar instrumentos durante o louvor, pois isso também era interpretado como liderança. Preocupada com o impacto que a teologia complementarista estava tendo nos casamentos e no alcance de não-cristãos, ela também estava preocupada com mulheres como ela, que sabiam muito bem de seus dons e chamados dados por Deus como pregadoras, mestres e líderes. Sua voz teve um forte chamado profético para todos nós na CBE ao mesmo tempo em que estava repleta de tristeza.

Quatro anos depois…

Enquanto a equipe da CBE orava por uma direção de Deus quanto a melhor localidade para a Conferência Internacional da CBE em 2023, colegas no Brasil falaram com uma voz alta e confiante: “A igreja no Brasil precisa da mensagem e do ministério da CBE”. Eles precisam saber o que as Escrituras ensinam sobre as mulheres, não apenas por conta da enorme influência que complementaristas americanos exercem nas denominações evangélicas no Brasil, mas também por conta do fato de que mais de quarenta por cento das famílias no Brasil experimentam abuso.[1] A CBE precisa resgatar a visão bíblica da liderança compartilhada com as mulheres no lar, na igreja e no mundo. Ao lado de colegas trabalhando em seminários, editoras e universidades cristãs, eles identificaram o tema que a conferência no Brasil mais necessitava, “Mulheres e as Escrituras: Resgatando a visão bíblica”. A partir daí, nós convidamos uma mistura de palestrantes americanos e brasileiros, teólogos e biblistas especialistas em suas áreas como Craig Keener, Alan Myatt, Cynthia Long Westfall, Cynthia Muniz Soares e Viktorya Zalewski Baracy. Também precisávamos de profissionais familiarizados com a luta do Brasil contra o abuso e o remédio das Escrituras. São Paulo foi selecionada como nossa cidade anfitriã por conta de seus seminários e faculdades cristãs locais e o acesso a transporte terrestre e aeroportos. Deus organizou todos os detalhes imagináveis, grandes e pequenos.

A instituição que abriu o espaço para realizarmos a conferência – uma receptiva faculdade Batista – ficava do outro lado da rua de um hotel acessível, bem como da maior e mais prestigiada escola de graduação do país. Coincidência? Não! Bibliotecários de ambas as escolas não apenas receberam nossos periódicos e livros da CBE, como também investiram horas pensando em estratégias para aumentar os recursos igualitários em suas bibliotecas em outras localidades. Graças a generosos doadores e amigos da maior editora cristã do Brasil, dois livros da CBE – Ainda lado a lado, de Janet George[2] e Parceiros no casamento e no ministério, de Ron Pierce[3] – foram traduzidos para o português do Brasil e agora estão disponíveis em livrarias pelo país. Cada participante da conferência recebeu uma cópia de cada livro, os primeiros recursos da CBE no Brasil em sua língua materna! Outros títulos logo mais também estarão disponíveis, uma vez que a Thomas Nelson Brasil (TNB) expressou um interesse significativo em investir e contribuir para espalhar recursos igualitaristas em português do Brasil. Enquanto digito, a TNB está traduzindo e editando outros títulos igualitaristas publicados pela IVP e Baker para serem lançados neste ano e no próximo!

Por que Deus está se movendo de maneira tão poderosa no Brasil?

Por causa do caos e dor causados pelas igrejas que continuam a promover a autoridade exclusiva masculina como se fosse o ideal de Deus. A teologia complementarista, de acordo com os participantes de nossa conferência, tem desmoralizado e diminuído os dons e o chamado de Deus para as mulheres no Brasil. Pior ainda, estende o poder aos homens não com base no caráter, mas por causa do sexo biológico. Homens com um padrão de violência e abuso são colocados em posição de autoridade sobre suas esposas e filhos por causa de ensinos bíblicos equivocados, endossados ​​por muitas igrejas e denominações.

Ao longo da conferência, conversei com várias mulheres e famílias desesperadas para saber que Deus valoriza e ama as mulheres tanto quanto os homens. Uma delas, divorciada do seu marido abusivo, se aproximou de mim para compartilhar o quanto ela gostou de ouvir as Escrituras interpretadas para dar às mulheres igual dignidade, responsabilidade e voz em seus casamentos e igrejas. Ela falou sobre sua vida repleta de abuso com muito pesar e tristeza. Os membros de sua família, também presentes na conferência, me agradeceram depois pela confiança e cura que eles também ganharam na conferência em geral, mas especialmente nas sessões sobre abuso.

Uma outra mulher me contou que chorou durante minha palestra sobre florescimento humano por causa das muitas oportunidades perdidas de famílias florescerem em igrejas complementaristas. Ainda outra pessoa me cumprimentou com um semblante de dor e ombros caídos para a frente, como se desejasse ser invisível. Felizmente, ela se juntou a vários grupos para refeições e tivemos o privilégio de ouvir um pouco de sua história, que apontava para o preço e os danos causados ​​por um casamento totalitário. Quando a conferência terminou, houve uma transformação em seu rosto e comportamento geral. Seu sorriso estava brilhante e sua postura ereta e confiante. Obrigada, Jesus!

Passamos um tempo considerável com outra jovem durante e depois da conferência. Ela trabalha servindo os jovens em sua igreja. Seu ministério se assemelha em todos os aspectos ao de um pastor de jovens, embora sua igreja não lhe confere o título ou o salário de um pastor. No entanto, ela continua ministrando. Uma linguista altamente qualificada, apaixonada por línguas bíblicas e pela teologia, ela sempre está pensando em maneiras de ajudar os jovens cristãos a se tornarem mais confiantes em Cristo. A certa altura da nossa conversa, ela começou a chorar perguntando: “Por que Deus me deu esses dons que trazem tanta frustração e humilhação quando negada a oportunidade de usá-los em tempo integral como pastora?” “Bem”, dissemos, “certamente a dor que você sente agora é evidência de seus dons e chamado. Não desista! Você tem toda a sua vida pela frente, e Deus abriu e continuará abrindo portas. Permaneça fiel!” Felizmente, ela está cercada por outras jovens líderes que também estão avançando, ganhando experiência onde e quando possível, usando seus dons e testando sua vocação!

Para apoiar jovens líderes no contexto brasileiro, nós contamos com jovens teólogos para liderar devocionais e sessões de workshop, para traduzir conteúdo e falar em podcasts, cada um explorando o tema de nossa conferência através de suas próprias experiências e da leitura das Escrituras. Depois de um dos devocionais, o esposo de uma dessas líderes virou, visivelmente emocionado, e me disse: “Ela é uma professora e pregadora tão talentosa. Não consigo conter minha alegria ao vê-la usar seus dons. Estou muito agradecido por ela ter tido esta oportunidade.” Claro, seu apoio à esposa é um exemplo para todos nós. Acho que é desnecessário dizer que a energia, as percepções e o engajamento dos jovens líderes brasileiros foram perspicazes e irreprimíveis! Como sabemos muito bem, grandes conteúdos vêm de teólogos mais jovens! No último dia da conferência, duas delas se aproximaram de mim chorando, dizendo que nunca imaginaram ter a oportunidade de usar seus dons em uma conferência internacional apoiando a liderança feminina como bíblica.

No final da última sessão, nós tiramos fotos juntos e discutimos as possibilidades para o futuro. Um grupo da CBE foi formado no WhatsApp – o início de um chapter no Brasil. Ainda hoje tomei conhecimento de um seminário interessado em adaptar sua declaração sobre gênero e serviço para refletir a declaração igualitarista da CBE.

Esses eventos e outros mais são o resultado direto das suas orações e doações generosas. Agradeço a cada doador que tornou isso possível. Graças também a uma doação generosa, a CBE pôde fornecer mais de vinte auxílio-inscrições para a conferência, bem como livros, revistas e recursos que as pessoas carregaram em seus braços como preciosos e estimados presentes. Sem dúvida, a palavra de Deus é sempre preciosa, mas especialmente quando seu ensino tem sido distorcido e humilhado mulheres e famílias, deixando corações despedaçados e, pior, corpos machucados.

Ao cantarmos nossa última canção de adoração juntos, aqueles entre nós que são menos fluentes em português entraram de maneira mais profunda nessa gloriosa cultura e seu amor por pessoas, seu discernimento de corações, sua paixão por família e devoção a Deus. Nós cantamos em uma língua e ao lado de um povo que conhece e ama o nosso Senhor, que se comprometeu a interpretar as Escrituras fielmente ao servir a igreja que eles tanto amam. Ao cantarmos louvores a Deus, confiamos que nosso trabalho juntos trará glória duradoura a Deus. Unidos mais intimamente como irmãs e irmãos em Cristo, e unidos em nossa luta para expor a hierarquia e sua ruína nas culturas em todo o mundo, deixamos a conferência encorajados, mais qualificados e esperançosos.

Ao ler este texto, peço que você ore pelas preciosas almas que participaram da conferência da CBE em São Paulo. Ore também por aqueles que descobrirão nossos recursos nas bibliotecas ou assistirão às sessões de nossa conferência no YouTube e SoundCloud, ou que lerão as apresentações da conferência publicadas na próxima edição da Mutuality. Ore para que Deus proteja, guie, encoraje seu chamado e cure suas feridas. Que a igreja no Brasil leve a mensagem de “Mulheres e as Escrituras: Resgatando a visão bíblica” não apenas para muitos no Brasil, mas também onde ela é mais necessária no mundo. Graças a Cristo, “que é capaz de fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos, de acordo com o seu poder que atua em nós, a ele seja a glória na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre” (Efésios 3:20-21).

Texto traduzido pela Débora Piva. Fotos por Manuella Silva, Mimi Haddad, e Carrie Silveira.


[1] Essa estatística é da sessão do workshop de Kathy Myatt, “Submissão e Abuso”. Essa palestra será publicada online em breve.

[2] Veja Ainda lado a lado: Uma explicação concisa da igualdade bíblica ou Thomas Nelson Brasil.

[3] Veja Parceiros no casamento e no ministério: Uma visão bíblica da igualdade de gênero ou Thomas Nelson Brasil.

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